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6 promessas de campanha que Donald Trump mudou após eleito

Uma semana depois do resultado das eleições americanas, o mundo começa a se acostumar ao conceito de “presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump”.

Praticamente desde o momento em que se soube que Trump era o ganhador das eleições, circulam análises, memes e até brincadeiras sobre as mais contorversas promessas de campanha do candidato republicano.
Entretanto, em poucos dias, e sobretudo depois do encontro com o presidente Barack Obama na Casa Branca, Trump suavizou várias delas.
Listamos alguns dos destaques:
1. O muro na fronteira
O que disse o candidato Trump: “Vamos construir um muro na fronteira com o México, um muro grande e bonito, e o México vai pagar por ele“.
A ideia do muro na fronteira foi um dos pilares da campanha de Trump e se tornou um dos slogans mais repetidos por seus seguidores nos comícios: “Construa o muro!”.
Trump, além disso, jogava a pergunta para o público: “E quem vai pagar por ele?”. A resposta era sempre a mesma: “O México!”.

Muro de protesto contra as propostas de Trump
O muro entre os Estados Unidos e o México foi um dos pontos centrais da campanha de Donald Trump –  Imagem AP

O que diz o presidente eleito Trump: “Pode ser que em alguns locais seja uma cerca“.
O que seria um muro intransponível pode se transformar em uma cerca em alguns trechos.
De qualquer maneira, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, um dos conselheiros mais próximos a Trump, afirma que o muro será construído mesmo que para isso seja necessária uma ordem executiva, já que Trump “não vai quebrar uma promessa de campanha”.
É importante lembrar que já existem muros e cercas em diversos pontos da fronteira entre Estados Unidos e México que foram construídos por governos anteriores, inclusive o do atual presidente Baracak Obama.
2. Deportação de imigrantes sem documentos
O que disse o candidato Trump: “Os que entraram ilegalmente têm que sair“.
Durante a campanha, o milionário insistiu em repetidas ocasiões que propunha expulsar, no menor tempo possível, os imigrantes sem documentos, estimados em 11,3 milhões nos Estados Unidos.
O que disse o presidente eleito Trump: “O que vamos fazer é deter os criminosos e os que têm antecedentes criminais (…) provavelmente dois milhões, talvez até três milhões, e vamos tirá-los do país ou talvez prendê-los“.
Conforme se aproximava o dia das eleições, a posição do agora presidente eleito começou a ser suavizada aos poucos.
Até que no último domingo (13), em sua primeira entrevista para a televisão após a vitória, concedida à rede CBS, Trump confirmou que o plano havia sido reduzido à deportação de entre dois e três milhões de pessoas, “criminosos com antecedentes, membros de gangues, traficantes de drogas”.

Cerca na fronteira entre Estados Unidos e México.
Trump insinuou que o muro entre os EUA e o México pode ser na realidade uma cerca em alguns pontos da fronteira   –  Imagem AP

Organizações como o Instituto de Política Migratória consideram que Trump pode ter dificuldades para encontrar nos Estados Unidos de dois a três milhões de imigrantes ilegais e que tenham antecedentes criminais.
O Instituto estima que a quantidade de imigrantes nessa situação seja em torno de 890 mil, incluindo pessoas processadas por terem cruzado a fronteira de forma ilegal.
3. Veto total aos muçulmanos
O que disse o candidato Trump: “Pedirei que haja veto total à entrada de muçulmanos nos Estados Unidos“.
A “proposta” foi feita durante um ato de campanha em dezembro de 2015, pouco depois do massacre de San Bernardino, na Califórnia.
Trump disse que essa proibição total à entrada de muçulmanos deveria ser mantida até que as autoridades americanas pudessem investigar o que estava acontecendo.
O que diz o presidente eleito: “Deve haver um exame extremo e minucioso de avaliação“.
O que começou como um veto total passou pouco depois a um “exame extremo” de cada muçulmano que queira entrar nos Estados Unidos quando se tornou o candidato do Partido Republicano.

Refugiados sírios no aeroporto de Atenas, Grécia
Trump mantém sua promessa de negar a entrada de refugiados sírios  –  Imagem AFP

Trump também falou sobre a suspensão de um acordo de reciprocidade de vistos “com qualquer país em que não se possa fazer uma revisão adequada, até que se possa implementar mecanismos comprovados e eficazes”.
Giuliani disse que a proibição absoluta de entrada de cidadãos sírios está mantida.
4. Revogação e substituição do Obamacare
O que disse o candidato: “A mudança real começa com a imediata revogação do Obamacare”.
Durante a campanha, o futuro mandatário fez da revogação do Obamacare – mecanismo proposto pelo atual presidente que dá acesso ao seguro de saúde a pessoas que não possam financiar um plano privado.
Essa foi uma das propostas que Trump mais enfatizou. Chegou inclusive a afirmar que o faria em seu primeiro dia como presidente.
A legislação é repudiala pelos republicanos, que alegam que ela impõe excessivos custos às empresas e supõe uma intromissão indesejada do Estado nos assuntos de empresas privadas e de indivíduos.
O que diz o presidente eleito: Parece que isso é um dos seus pontos fortes, assim como a extensão da cobertura a menores que vivem com seus pais, agrega custos, mas vamos tentar manter“.
Foi dessa maneira que Trump se referiu a um dos aspectos-chave da reforma de Obama: que as seguradoras não podem negar cobertura a pessoas por condições médicas pré-existentes.
Isso quer dizer que a visão completamente negativa que o candidato parecia ter do Obamacare não é a mesma do presidente eleito.
A mudança de opinião foi mostrada durante a visita de Trump a Obama na Casa Branca, quando falaram do assunto.
5. Processo contra Hillary Clinton
O que disse o candidato: “Estaria presa“.
Durante a campanha, outra frase entre as mais repetidas era: “Prendam ela!”.
Seus apoiadores queriam ver a democrata Hillary Clinton presa por seu suposto uso de um servidor de e-mail privado quando era secretária de Estado.
Trump estava mais que disposto a apoiar seus pedidos, ou pelo menos começar uma nova investigação.

Hillary Clinton e Donald Trump
No debate presidencial de 9 de outubro, Trump insinuou que a Hillary Clinton seria presa se ele chegasse à presidência   –  Imagem AFP

Durante o segundo debate presidencial, ele disse a Clinton: “Se eu ganhar, vou dar instruções ao meu procurador-geral para designar um promotor especial que investigue a sua situação”;
E em um dos momentos mais memoráveis do encontro, Clinton disse que alguém com o temperamento de Trump não deveria estar a cargo da aplicação da lei no país: “Porque você estaria presa”, respondeu.
O que diz o presidente eleito:Temos com ela uma dívida de gratidão“.
O tom de Trump em relação a Clinton deu uma guinada radical desde que ganhou as eleições.
Em seu discurso da vitória, Trump felicitou Clinton por uma campanha tão disputada e acrescentou que o país tem com ela “uma dívida de gratidão”.
Depois, disse que “não tinha dedicado muito tempo a pensar no tema do processo contra Clinton” e que tinha outras prioridades.
Na entrevista à CBS, indicou que “vai pensar nisso” e acrescentou: “São boas pessoas, não quero prejudicá-los”.
6. Distanciamento da Otan
O que disse o candidato Trump: “Muitos dos países da Otan não pagam o suficiente, e isso me incomoda porque se os estamos defendendo pelo menos deveriam pagar por isso“.
O republicano foi muito crítico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) durante toda a campanha. Ele a classificou como obsoleta e criticou o que considera falta de compromisso financeiro dos aliados.
Ameaçou retirar o financiamento dos Estados Unidos se os demais países não cumprirem suas obrigações econômicas.
Ao mesmo tempo, Trump enalteceu o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o que alarmou outros países.

Livros de Trump e Putin
A suposta simpatia entre Donald Trump e Vladimir Putin preocupa alguns líderes mundiais –  Imagem AP

O que diz o presidente eleito: tecnicamente Trump no se contradisse, mas Obama o fez em seu nome.
Obama enfatizou que Trump manterá seu compromisso com a Otan.
O atual presidente explicou que, durante o encontro na última quinta-feira (10), Trump indicou que não sairá da aliança de décadas.
“Existe uma sucessão permanente de eventos que flui sob as notícias do dia a dia e que nos torna esse país tão indispensável quando se trata de manter a ordem e promover a prosperidade no mundo”, declarou Obama.
“Isso continuará sendo assim. Em minha conversa com o presidente eleito, ele expressou um grande interesse em nossa relação estratégica e, portanto, uma das mensagens que poderei levar para a Europa é seu compromisso com a Otan, a aliança transatlântica”.
Em relação às mudanças climáticas, não foi divulgada mudança na postura de Trump, favorável à retirada dos investimentos que os Estados Unidos se comprometeram a fazer com a Organização das Nações Unidas.
Entretanto, ainda faltam mais de dois meses para a posse do presidente eleito.
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